

No 19º Domingo do Tempo Comum seguimos o itinerário de rezar as diferentes vocações e ministérios que impulsionam a obra evangelizadora da Igreja, tradição neste mês de agosto. Ao rezarmos a vocação da paternidade sob a inspiração do bom e justo José, pai de Jesus Cristo, iniciamos a Semana Nacional da Família. Compreendemos que a família é para o ser humano um grande bem.
Neste ano rezamos o tema “Família, torna-te aquilo que és” e o lema “O amor jamais acabará” (1Cor 13,8).
A experiência do amor familiar inspira os membros a assumir algumas atitudes fundamentais no cultivo da boa relação familiar.
A primeira delas é compreender que fazemos parte de famílias reais, e vivemos um contexto de vida real.
Nossas famílias não são as imaginárias ou oriundas da ficção televisa, mas são compostas de pessoas com virtudes, dons e limitações que devem ser acolhidas e consideradas na relação familiar, como forma de viver um relacionamento sadio. A segunda dimensão refere-se ao compromisso de cultivar o amor pela família a qual se pertence.
O cultivo do amor perpassa a vida do casal e estende-se para os filhos. Implica, no cotidiano, em manifestar atitudes de respeito, carinho e perdão. Estas atitudes explicitam o amor vivido na família e são a rocha firme que sustenta frente às tempestades da vida. O amor se expressa também através da terceira atitude que é o cuidado para com a família. Cada membro da família é convidado, na sua condição, a cuidar da sua família, nas diferentes situações.
A expressão “cuidado” tem a ver com noção de atenção, cautela, dedicação e zelo. Cuidar da família, compromisso de cada membro, é uma forma de expressão do amor.
A Liturgia da Palavra, neste 19º Domingo, apresenta pela primeira leitura a bonita experiência do profeta Elias (1Rs 19,9a.11-13a.
Antes o profeta passara por uma experiência muito difícil ao ponto de desejar a morte. Mas Deus, pela sua misericórdia cuidara do seu enviado (1Rs 19,1-8).
Então, ele partiu para a montanha para encontrar-se com Deus, ou aprofundar a experiência com o Criador (1Rs 19,11). E, na montanha, que, segundo a Sagrada Escritura, é o lugar do encontro com Deus, foi surpreendido pela ação divina.
O Senhor não estava em nenhum fenômeno da natureza onde deveria estar na visão do profeta. De forma surpreendente, Ele se manifesta na brisa suave.
Dessa forma Deus toca o coração, renova as forças e a esperança do profeta para continuar servindo ao Seu projeto.
Elias então viu que Deus cuida, inspira e surpreende em nome de uma causa que tem sentido, a ação libertadora.
No Evangelho, segundo Mateus ((Mt 14,22-33), Jesus e os discípulos recém haviam vivido a bonita experiência de comunhão com a multidão através multiplicação dos pães e dos peixes. Mas era preciso continuar a missão, levar aquela experiência para outras pessoas.
Então Jesus enviou os discípulos para o outro lado do mar através de uma barca. Ele despediu a multidão e foi orar a sós (Mt 14, 22,23).
Surgiram três dificuldades para o grupo dos discípulos.
A primeira, porque certamente gostariam de ficar ali usufruindo daquele bom momento, pois o fato de Jesus ter saciado a fome lhes trouxera certo prestígio e queriam ficar acomodados àquele bom momento. Não estavam dispostos aos novos desafios.
A segunda dificuldade surgiu porque deveriam ir para um território estranho, onde não eram conhecidos e agiriam sem a presença física de Jesus.
A terceira dificuldade, iriam pelo mar, lugar de grande perigo, considerado morada do mal.
Estariam dispostos a assumir os desafios da nova missão?
Durante a travessia, surgiu uma quarta dificuldade, o vento começou a soprar contrário.
Os discípulos ficaram com medo e inseguros. Apavorados, não reconheceram Jesus, que foi ao seu encontro.
Não captaram a presença do Filho de Deus. Pensaram que erar um fantasma.
Jesus agiu encorajando o grupo. Disse.
Sou eu.
Não tenhais medo.
Ou seja.
Não os abandonei.
Estou com vocês.
Mas Pedro pediu mais.
Não bastava a Palavra do Mestre. Queria algo mais. Pediu para ir ao encontro de Jesus na mesma condição do Mestre, andando sobre as águas (Mt 14,28).
Contudo, no caminho, fraquejou na fé ao sentir o vento contrário e começou a afundar.
Ele queria ser igual ao Mestre, mas faltou consistência na fé.
Jesus precisou socorrê-lo chamando atenção para a “sua falta de fé”, a dúvida em seu coração.
Depois que tudo se acalmou os discípulos viram que estavam diante do Filho de Deus (Mt 14,33). Chegando ao outro lado continuaram a obra missionária.
Ao escrever este texto, Mateus está respondendo às crises da comunidade cristã que enfrentava as tempestades e ventos contrários.
Estas comunidades deveriam, segundo o autor, perceber a presença constante de Jesus nas travessias. Ele não abandona os seus. Estará sempre junto.
A sua presença acolhida na fé dá coragem para os enfrentamentos necessários.