

O texto “Fazer-se próximo: o exemplo do samaritano”, escrito pelo Pe. Ari Antonio dos Reis, propõe um discernimento pessoal sobre a tão conhecida parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37). Esta pericope é a escolhida para o Evangelho deste 15º Domingo do Tempo Comum.
Neste sentido, o Padre Ari parte da provocação inicial de um mestre da Lei, cuja pergunta — “quem é o meu próximo?” — reflete uma lógica de exclusão e delimitação ética. Isso quer dizer, que esta indagação está mais preocupada com o debate retórico do que com o compromisso existencial do auxílio ao outro.

Jesus, no entanto, desloca a discussão da teoria à prática, narrando uma parábola em que a centralidade está no agir compassivo e eficaz do samaritano. Dessa maneira, faz o mestre da lei analisar o contraste, da ação do bom samaritano, com o sacerdote e o levita, que priorizam seus compromissos religiosos ou pessoais.
De qualquer forma, precisamos ter presente a lógica dos preceitos e rituais destes três personagens. Não podemos julgar com imediatismo a recusa na ajuda destes dois primeiros atores do texto. Dito isso, Jesus coloca que o samaritano interrompe sua jornada para cuidar de um desconhecido ferido à beira da estrada. Isto posto, sua atitude nos revela um amor que não calcula tempo nem custo e que se traduz em gestos concretos de misericórdia.
Por isso, o ponto alto da reflexão está na inversão da pergunta: não se trata de identificar quem é o próximo, mas de tornar-se próximo de quem sofre.
Afinal, a compaixão precisa ser entendida como a capacidade de “sofrer com”. Assim, esta “empatia” torna-se o critério hermenêutico da caridade cristã e o fundamento ético de uma espiritualidade encarnada.
Além disso, o texto ainda nos provoca a pensar: como em uma sociedade marcada pela pressa e pelo individualismo, podemos fazer uma verdadeira “knosis”, este esvaziamento de nós mesmos e encontrar tempo para cuidar do outro, de forma livre e gratuita. Todavia, não baseado no assistencialismo, mas sim no amor e na compaixão, como um ato profético e de misericórdia.
Ao final, Jesus convida o mestre da Lei — e a todos nós — a seguir o exemplo do samaritano: “Vai, e faze a mesma coisa”. Pois, o seguimento cristão exige menos elucubrações e mais gestos de amor encarnado.
📖 Para ler este artigo na íntegra, por favor, acesse: Fazer-se próximo: o exemplo do bom samaritano
Esperamos que essa leitura ilumine seu caminho e aprofunde sua fé.
Leia outras reflexões do Eco da Palavra.