Catedral Nossa Senhora Aparecida

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Eco da Palavra: reflexões sobre o Evangelho Dominical com o Padre Ari
📘 Reflexão do Evangelho: 22º Domingo do Tempo Comum | Domingo: Mt 16,21-27
✍️ Autor: Padre Ari Antônio dos Reis

A coragem de assumir a cruz encontrando o sentido da vida!

Coragem de assumir a cruz.
Coragem de assumir a cruz.

Estamos no último domingo do mês de agosto, 22ºDomingo do Tempo Comum.   

Celebramos o Dia Nacional do Catequista, tendo presente este universo de leigos e leigas que assumem a missão do anúncio de Jesus Cristo através da iniciação à vida cristã e da formação na fé.

Agradecemos a Deus por tantos catequistas que dedicam seu tempo e seus dons a serviço da evangelização e da pastoral nesta Igreja particular de Passo Fundo.

Segundo o Papa Leão XIV, os catequistas são aqueles discípulos de Jesus que se tornam suas testemunhas. O nome do ministério que exercem vem do verbo grego katēchein, que significa instruir de viva voz, fazer ressoar. Isto quer dizer que o catequista é uma pessoa de palavra, uma palavra que pronuncia com a própria vida (Mensagem por ocasião do Jubileu dos Catequistas). 

Ser catequista: ter a coragem de fazer rossoar

Ser catequista é uma experiência viva e significativa, que marca a vida do interlocutor, da própria pessoa e da comunidade que os acolhe, em vista da evangelização.

Lembremos dos nossos catequistas que nos iniciaram na fé, rezemos por eles e agradeçamos aos catequistas que testemunham Jesus em nossas comunidades.

O grande catequista da humanidade, Jesus Cristo, convida todos à coragem de assumir a cruz. É o centro da reflexão desse domingo.  A primeira leitura, do livro do profeta Jeremias (Jr 20,7-9), já inspira à compreensão do sentido do Evangelho dominical, que fala do compromisso com a cruz. O profeta reza a Deus, que o chamara para a sua obra. A vocação de Jeremias é uma vocação inspirada por Deus e, em meio às resistências, é cuidada por Deus. Ele quer pessoas dispostas e suficientemente corajosas para assumir as consequências do “sim” dado.

Jesus nos pede coragem para assumir a Cruz

No Evangelho sugerido, (Mt 16,21-27), explicita a tensão diante do desafio de assumir as consequências do “sim” dado ao Senhor: assumir a cruz.

Recordemos que, no Evangelho proposto para o domingo passado (Mt 16,13-20), o discípulo Pedro reconheceu Jesus como o Messias, o Filho de Deus.

Jesus, por sua vez, o declarou feliz, bem-aventurado, e deu a ele a missão de conduzir a Igreja no mundo. Ele era a “pedra” sobre a qual a Igreja estaria fundamentada (Mt 16,18).

Contudo, quando Jesus mostrou as consequências da missão que estava assumindo e que, de certa maneira, seriam responsabilidade também do discipulado — ida para Jerusalém, perseguição, sofrimento, cruz e ressurreição (cf. Mt 16,21) —, Pedro chamou Jesus à parte e o repreendeu.

Na sua compreensão, tal coisa não deveria acontecer com o Mestre (Mt 16,22).

Nossa falta de coragem diante do discipulado

A preocupação de Pedro talvez não fosse tanto com Jesus, mas com sua própria pessoa.

Ele havia reconhecido Jesus como Messias. Entretanto, não estava disposto a assumir com Jesus as consequências daquela proposta: “perseguição, sofrimento e cruz”.

Estava disposto a outro tipo de caminho, possivelmente mais tranquilo e conveniente aos seus interesses pessoais.

Pedro estava equivocado.

E Jesus respondeu a Pedro com igual veemência.

Primeiro, pediu que se afastasse e se compreendesse como discípulo.

Também o chamou de Satanás. O termo “Satanás”, aqui, é compreendido como adversário ou opositor da proposta do Reino.

O comportamento medroso e egoísta de Pedro era de oposição à proposta do Reino e não de adesão.

Naquele momento, Pedro agia como “Satanás”.

Há uma terceira alusão a Pedro: foi chamado de “pedra de tropeço”, ou seja, sua atitude impediria a concretização da proposta de Jesus pelo fato de pensar como os homens e não segundo o desígnio divino.

Pedro revelou a contradição pessoal e, certamente, a do grupo.

Estavam com Jesus enquanto discípulos, mas não estavam dispostos a assumir as consequências do discipulado por medo e comodismo.

Não queriam a cruz, consequência do discipulado.

Tenhamos coragem de assumir o nosso Sim

A segunda leitura proposta para este domingo, da Carta de Paulo aos Romanos (Rm 12,1-2), retoma, na linguagem paulina, o convite feito por Jesus: a coragem de assumir as consequências do “sim” dado.

É a atitude de oferecer-se como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: o culto espiritual.

Nessa atitude, a pessoa cumpre verdadeiramente a vontade de Deus e encontra o sentido de sua existência.

Neste domingo, rezemos pelos catequistas que assumem o compromisso com Jesus, doando-se à comunidade.

São discípulos e discípulas em nossos dias.

Rezemos para que o Senhor inspire mais pessoas a encontrarem o sentido de seu existir, doando-se pela causa do Reino anunciado por Jesus e testemunhado em nossos dias.

Este é o sentido da vocação cristã.

Ele viu o seu futuro e o futuro dos outros com o olhar da fé. Possamos aprender de Mateus esta capacidade de ver.

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