Catedral Nossa Senhora Aparecida

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Eco da Palavra: reflexões sobre o Evangelho Dominical com o Padre Ari
📘 Reflexão do Evangelho: 30º Domingo do Tempo Comum | Mt 22,34-40
✍️ Autor: Padre Ari Antônio dos Reis

O amor a Deus e ao próximo!

Nossa Senhora Aparecida: uma mãe que visita seus filhos
Nossa Senhora Aparecida: uma mãe que visita seus filhos

Neste 30º Domingo do Tempo Comum somos motivados a nos reunimos em nossas comunidades para nos alimentarmos da Palavra e da Eucaristia, dons de Deus e força dos cristãos na sua peregrinação na fé. Não se desconhece a força da prece individual, contudo, a comunidade reunida é a visibilidade dos que professam a mesma fé e significa um testemunho valioso para o mundo. É oportuno reunir-se como comunidade de fé para agradecer as dádivas de Deus em nossas vidas.

No que diz respeito ao alimento da Palavra o texto sugerido pela primeira leitura (Ex 22,20-26) apresenta os mandamentos da Lei de Deus que sugerem uma forma especial de relacionamento com o Deus libertador e entre os membros do povo de Deus. Tais mandamentos são vistos como garantia para manter a liberdade conquistada na saída do Egito e a fidelidade a quem operou a libertação, o Senhor Deus.

O amor ao próximo

Nesta relação, há uma preocupação grande em relação à manutenção da vida e da dignidade do próximo, visto como pilar da fidelidade a Deus, como expresso no texto: se tomares como penhor o manto do teu próximo, deverás devolvê-lo antes do pôr do sol. Pois é a única veste que tem para o seu corpo, e coberta que ele tem para dormir (Ex 22, 26). A lei leva ao encontro com a vontade de Deus expressa no cuidado com o mais frágil. A boa relação com Deus implica na boa relação com os irmãos fragilizados.

A preocupação com a fidelidade à lei aparece na interpelação feita a Jesus no Evangelho de Mateus (Mt 22,34-40), porém em uma perspectiva reducionista. Quando os fariseus perguntam a Jesus sobre qual seria o maior mandamento da Lei tinham presente os 613 preceitos que um “bom judeu” deveria considerar e observar no cotidiano, dos quais 248 mandamentos eram propositivos, deveria seguir necessariamente e 365 eram proibições, deveria evitar a todo custo.

Amor à Deus

Os fariseus gabavam-se saber e praticar estes preceitos. Segundo Bortolini (2015, p.249) os fariseus eram observantes rigorosos de todos os detalhes da lei. O desejo mais cobiçado por um fariseu era o de ser chamado irrepreensível. Entre os estudiosos a grande questão que surgia qual era mandamento mais importante, qual viria em primeiro lugar quanto à observância. Esta compreensão da lei os levou até Jesus.

Jesus que conhecia seus interlocutores e conhecia a lei mosaica propõe uma outra abordagem, fugindo do legalismo. Aqui aparece a preocupação do Evangelista Mateus ao escrever para as comunidades cristãs. Elas, ao acolher a proposta cristã, não estavam traindo a tradição judaica, mas aprofundando a lei a partir do princípio do amor.

Jesus responde à interpelação dos fariseus falando do amor a Deus. Cita o primeiro mandamento da Lei. Cita também o segundo mandamento. Um princípio está profundamente ligado ao outro. O amor a Deus passa necessariamente pelo amor ao próximo. Ambos partem de uma convicção pessoal.

O que é o amor

A palavra amor se origina do verbo latino do amare. Traduz-se por afeto, cuidado, atenção para com o outro. A língua grega apresenta diversas definições para a expressão amor. Uma delas é “ágape”, αγάπη, que significa amor incondicional, altruísta, amor que leva a doar-se ao próximo. O amor vai além do sentimento. Ele provoca a ação e este agir visa o benefício do outro.

Ao falar do amor a Deus e ao próximo Jesus desmonta o legalismo vazio dos fariseus, coloca o debate na perspectiva da ação, como fizera ao citar o samaritano como símbolo de amor ao próximo (Lc 10, 25-37) e provoca os fariseus ao discernimento, questionarem-se se de fato eram fiéis à lei de Deus, como tanto se gabavam. A fidelidade a Deus os levaria ao encontro daqueles que tanto desprezavam, os pobres e desvalidos porque os consideravam pecadores e ignorantes.

Ao citar o mandamento do amor, Jesus cita três sujeitos em relação. Deus que ama primeiro e de forma incondicional. A pessoa que se dispõe a responder ao amor de Deus. O próximo que deve ser o interlocutor do caminho amoroso, portanto necessariamente o caminho para Deus. 

Compartilhe