

Ao concluir o ano de 2025, elevamos a Deus um sincero hino de gratidão. Rendemos graças, de modo especial, ao nosso bispo, aos leigos e leigas, aos religiosos e religiosas e aos presbíteros que, com generosidade e fidelidade, seguem Jesus Cristo e servem a Igreja no cotidiano da missão. Em cada gesto de doação, em cada palavra de anúncio e em cada serviço silencioso, reconhecemos sinais concretos do amor de Deus que age e permanece vivo em nosso meio.
Este ano foi marcado de modo especial pela vivência do Ano Jubilar, no qual celebramos os 2025 anos do nascimento de Jesus Cristo, sob o lema “Peregrinos de Esperança”. Como Igreja, fomos chamados a renovar a fé, a fortalecer a comunhão e a caminhar juntos como povo de Deus, redescobrindo que a esperança cristã não decepciona, pois está firmemente enraizada na fidelidade de Deus, que acompanha, sustenta e conduz o seu povo ao longo da história.
Vivemos também um tempo particularmente significativo ao celebrarmos os 75 anos da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, hoje Catedral Metropolitana, sinal visível da fé católica e da presença da Igreja no coração de nossa cidade.
Em meio a um ano marcado por reformas e cuidados com este espaço sagrado, renovou-se igualmente a consciência de que a verdadeira Igreja não se reduz às suas estruturas, mas é constituída por pessoas vivas, chamadas a testemunhar o Evangelho com alegria, unidade e compromisso.
Nesse horizonte, ressoa com força o apelo do Papa Leão XIV para sermos uma Igreja cada vez mais sinodal, onde todos caminham juntos, na escuta mútua, na corresponsabilidade e na comunhão, como sinal de esperança para o mundo.
A liturgia nos ajudou a interpretar este caminho à luz da Palavra de Deus. O louvor presente em Eclesiástico 50,24-26 convida o povo a reconhecer a ação contínua de Deus na história: Ele concede alegria ao coração, paz ao seu povo e faz resplandecer a sua misericórdia desde o ventre materno.
Trata-se de uma oração marcada pela gratidão e pela esperança, que reafirma a certeza de que Deus não abandona aqueles que nele confiam, mas os liberta no tempo oportuno.
Na espiritualidade cristã, esse texto se torna um apelo à oração perseverante e à confiança na providência divina. Ele recorda que a verdadeira alegria e a paz duradoura não dependem apenas das circunstâncias externas, mas brotam da certeza de que Deus é fiel, misericordioso e caminha com o seu povo. Por isso, funciona como uma bênção que sela a experiência da fé com confiança e esperança renovadas.
Essa mesma dinâmica aparece no Evangelho da cura dos dez leprosos (Lc 17,11-19). Os leprosos, ao clamarem por compaixão, reconhecem em Jesus a autoridade divina. A cura acontece no caminho, como fruto da confiança e da obediência à sua palavra. Contudo, apenas um retorna para agradecer — e justamente um samaritano, estrangeiro e marginalizado. Nele, Jesus reconhece a fé plena: uma fé que não apenas recebe o dom, mas responde com gratidão, abrindo-se à salvação integral.
À luz dessas leituras e do magistério recente da Igreja, recordamos que alegria, paz e misericórdia são marcas essenciais da vida cristã. Como tantas vezes recordou o Papa Francisco, a alegria nasce da experiência da misericórdia de Deus, e a paz verdadeira é dom que brota da confiança em sua presença. A oração de bênção e gratidão mantém viva a esperança e sustenta a fé no caminho cotidiano.
Assim, agradecidos por tudo o que vivemos ao longo de 2025, colocamos o futuro nas mãos de Deus, certos de que é Ele quem continua a conduzir e sustentar a sua Igreja. Como peregrinos de esperança, caminhamos confiantes, com o coração agradecido e os olhos fixos em Jesus Cristo, fonte de toda vida, alegria e salvação. À semelhança do samaritano do Evangelho, queremos voltar ao Senhor para agradecer, louvar e reconhecer que tudo é graça, rendendo a Ele a honra e o louvor, hoje e sempre.
Confiamos este caminho à intercessão de Maria, Mãe Aparecida, que proclama com toda a sua vida: “Minha alma engrandece o Senhor e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”, e nos ensina a viver na fé, na gratidão e na esperança.
Esperamos que essa leitura ilumine seu caminho e aprofunde sua fé.
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