

O Evangelho proposto para o 6º Domingo da Páscoa (Jo 14,15-21) situa-se no grande discurso de despedida de Jesus, um diálogo de proximidade e esperança com o discipulado. O contexto é marcado por certa tensão devido à notícia da traição de Judas (Jo 13,21) e também da negação de Pedro (Jo 13,38). Mas também havia preocupação quanto ao futuro, pois o grupo foi noticiado da partida eminente de Jesus (Jo 13,33). Pairavam dúvidas e incertezas. O que o futuro reservava para o Filho de Deus? O que aconteceria com o gruo dos discípulos? O que fariam sem a presença do líder?
É significativa uma das manifestações de Jesus frente ao grupo e que é a constante em todo discurso: “não se perturbe o vosso coração. Acreditem em Deus e acreditem em mim também” (Jo 14,1). Esses pedidos serão acrescidos de outros significativos que darão ao discipulado as condições de seguir sem Jesus, mas testemunhando a sua proposta.
Neste contexto dá-se o discurso de Jesus, nomeado “discurso de despedida”. Estende-se no capítulo treze ao 17 com a oração de entrega do discipulado aos cuidados do Pai. Jesus deixa ao grupo vários ordenamentos, ou vários pedidos.
O trecho refletido neste domingo estrutura-se sobre a experiência do amor que Ele mesmo dispensou à humanidade; o compromisso solicitado ao grupo de guardar os mandamentos como resposta a este amor; a promessa de envio do Espírito Santo; experiência do amor vivido e a possibilidade da morada do Pai.
Jesus fala aos discípulos do amor. Existe a certeza do seu amor. Pede agora ao grupo esta iniciativa e faz isso no tempo final da sua jornada terrena. O caminho dos seguidores é o mesmo que Jesus assumiu ao longo de toda a sua vida, amar e expressar este amor até as últimas consequências. Ele fez isso dando a sua vida, cumprindo a promessa feita: “dou livremente a minha vida pelas ovelhas (cf. Jo 10, 17-18). A característica dos seguires de Jesus será fundamentalmente a capacidade de amar. Jesus sugere um caminho, ou seja, guardar o fundamento de todos os mandamentos, justamente o amor. “E amor não pode ser vivido em circuito fechado, egoisticamente, mas projetado para fora, da mesma forma como agiu Jesus, que veio trazer a vida em plenitude para todos” (Bortolini, 2006, p.114).
A empreitada é exigente. Certamente o grupo dos discípulos, sentindo que o Mestre partiria, perguntava-se sobre como dar conta dela sem a sua presença. Jesus responde à inquietação prometendo a vinda de “outro Defensor” para permanecer com o grupo (Jo 14,16). Também o chama de “Espírito da Verdade”. A sua presença garantiria a ação dos discípulos no mundo, segundo os desígnios do Pai. A vontade do discipulado seria reforçada pela luz e inspiração do Espírito Santo, presente em todas as ações da comunidade cristã.
A partida de Jesus não é definitiva. Logo estarão juntos novamente. Todavia o mundo, forças do mal não o verá. O ver Jesus é a experiência da total comunhão com a sua vontade só possibilitada nos que aderem a sua proposta. Tudo isso acontecerá sob o Espirito Santo.
Nem todos sentiriam essa força. Só quem a fé e acredita na proposta acolheria o Espírito da Verdade e experimentaria a sua intimidade.
A exigência é conversão. Um coração convertido acolhe o amor, o irradia e acolhe também a inspiração do Espírito Santo.