Catedral Nossa Senhora Aparecida

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Eco da Palavra: reflexões sobre o Evangelho Dominical com o Padre Ari
📘 Categoria: Reflexão Dominical
✍️ Autor: Padre Ari Antônio dos Reis

Quem me viu, viu o Pai

Estamos fazendo a nossa caminhada Pascal, seguindo especialmente os ritmos das celebrações dominicais, sem tirar o valor do ritmo diário que no inspiram no encontro com o Ressuscitado, que nos convida ao anúncio do seu nome e sua proposta (Mc 16,15; Lc 24,47; Mt 28,19-20; Jo 20,21).

Este é um momento de graça, a oportunidade de encontro como comunidade de fé para celebrar o mistério de Jesus seguindo o ritmo proposto pela liturgia, segundo seus ritos. A liturgia se fundamenta na Palavra de Deus, especialmente no Evangelho que convida a olhar para Jesus acolhendo o que Ele propõe, segundo os evangelistas, para a assembleia celebrante.

A Revelação de Jesus e a Missão dos Seus Discípulos

Neste 5º Domingo Pascal iluminados pelo evangelho de João (Jo 14,1-10) rezamos um diálogo significativo de Jesus como o discipulado, marcado por um momento de grande tensão: anúncio da traição de Judas e da negação de Pedro.

Este é o discurso de despedida, que toma os capítulos 13 a 17 do texto joanino. Era necessário superar a perturbação (Jo 14,1).

O texto se divide em alguns tópicos: pedido do ato de fé do discipulado; promessa do encontro definitivo; apresenta-se como caminho verdade e vida; apresenta-se como quem revela o rosto do Pai; pela fé continuarão suas obras.

No começo do diálogo Jesus pede um voto de confiança do discipulado, o ato de fé. Ele diz: tendes fé Em Deus, tende fé em mim também (Jo 14,1).

Aqueles momentos difíceis e os momentos que viriam exigiriam o ato de fé. Seriam extremamente necessários, assim como foi na adesão ao projeto.

Em seguida Jesus faz uma afirmação: existem muitas moradas na casa de meu Pai (…) vou partir e vou preparar um lugar para vocês (Jo 14, 2-3). Ela diz respeito ao futuro não marcado pelo rompimento ou abismo, mas pelo encontro em plenitude. E sustenta a afirmação dizendo: para que onde eu estiver estejam vocês também.

O Filho de Deus confirma o não esgotamento da jornada humana no mundo terreno, mas sua vocação à eternidade. Toda a missão de Jesus não se configuraria àquelas condições “mundanas” e limitadas, que ameaçavam a vida de Jesus e do grupo. A tensão e o medo eram condições passageiras, seriam superadas pela fé.

O discernimento dos discípulos e sua mensagem para nós

Dois discípulos, Tomé e Felipe, manifestam ainda incompreensões quanto à relação com Jesus e à situação vivida. Tomé explicita a insegurança quanto ao caminho futuro. Diz: não sabemos para onde vai, como podemos saber o caminho (Jo 14,5)? Ele responde se apresentando como caminho verdade e vida, caminho para o Pai.

O projeto dos judeus apresentava a lei como caminho, Jesus apresentava-se como caminho mediante a uma proposta de amor e, portanto, de verdade no qual toda a sua vida se implicava. Era verdadeiramente o caminho, a verdade e a vida. Caberia ao discipulado, acolher aquela proposta, na fé.

Felipe, por sua vez, buscando ainda uma segurança maior, pede que Jesus lhe mostrasse o Pai.

Foi oportunidade de Jesus revelar aquilo que foi uma constante em sua vida. Ele é o rosto do Pai: quem me viu, viu o Pai (Jo 14,9). Ele chama a atenção do discípulo por ainda não ter percebido aquela boa nova que foi a tônica em todo o seu ministério, revelar o rosto de Deus.

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida

Ao apontar para o horizonte futuro para si e para o discipulado na comunhão da missão e na futura. Afirma igualmente duas marcas da sua jornada missionária junto à humanidade: apresentar-se como caminho verdade e vida e revelar o rosto do Pai.

Caberia aos discípulos acolherem aquela boa-nova fazendo a partir dela obras ainda maiores.

Nossa reunião como assembleia celebrante coloca-nos naquela condição dos discípulos.

Estamos em encontro como o Filho de Deus mediados pela fé, porque acreditamos Nele. Acolhemos Sua Palavra de esperança, todavia não fundada na vida terrena, mas na vida eterna.

Somos convidados a tê-lo como caminho, verdade e vida na nossa trajetória de fé. Também, pela fé, vemos, em Jesus, Deus se revelando e se fazendo presente em nossa vida com o compromisso de testemunhá-Lo.

Pe. Ari Antonio dos Reis

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