Catedral Nossa Senhora Aparecida

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Eco da Palavra: reflexões sobre o Evangelho Dominical com o Padre Ari
📘 Reflexão: O que move o coração de uma mulher?
✍️ Autor: Valeska Schwanke Fontana Salvador

O que move o coração de uma mulher

O que move o coração de uma mulher?
O que move o coração de uma mulher?

Todos os anos, no dia 8 de março, celebramos internacionalmente o Dia da Mulher. Instituída pela ONU em 1975, a data lembra as lutas e conquistas sociais, econômicas e políticas das mulheres ao longo da história. Mas, acima de tudo, ecoa a pergunta: o que realmente move o coração da mulher?

E Deus criou o homem e a mulher...

Quando Deus criou a mulher, apesar de duas versões presentes no Gênesis, Ele decidiu tirá-la da costela de Adão, isto é, não a tirou de seus pensamentos (cabeça), para não ser superior, nem de seus pés, para não ser inferior, mas tirou de seu lado, do seu coração, carne de sua carne, para que ela fosse igual, em direitos e deveres. Assim, homem e mulher são iguais em dignidade, cada um com dons que refletem a imagem e a semelhança de Deus. Deu ao homem e força e a proteção e a mulher o dom de gerar e sustentar um novo ser em seu ventre. Ele a fez suave, doce e resiliente, capaz de enfrentar as tempestades da vida.

Dessa forma, o masculino e o feminino de Deus existem, em equilíbrio e em unidade, sendo fecundos, não apenas no sentido carnal, mas juntos construindo caminhos propícios a plena realização dos projetos do Senhor para toda a obra da criação.

A mulher presente na Obra salvífica

Interessante pensar que basta visitar a Sagrada Escritura e o Magistério de nossa amada Igreja Católica, Apostólica e Romana, para perceber como Deus sempre chamou as mulheres a participar ativamente em Suas obras.

Comecemos por nosso modelo por excelência, Maria, nossa Mãe, que acolheu em seu seio o Verbo Encarnado. Ela ouviu a proposta, aceitou e se colocou em missão. Eis-me aqui, sou Sua Serva, foi sua resposta. Mas, o Senhor na Sua infinita misericórdia deu-lhe o amparo e a proteção deste homem extraordinário que foi José. Podemos pensar em Débora, Rute, Ester, Suzana, Priscila, Marta e Maria, Maria Madalena, a Apóstola dos Apóstolos e tantas outras que na sua essência feminina contribuíram com a história de salvação do povo de Deus.

Ainda, ao folhar as páginas do 2º Testamento (Novo Testamento), lemos que as mulheres sempre tiveram um papel importantíssimo na vida pública de Jesus. Foram elas que muitas vezes sustentaram economicamente a Sua missão e a continuidade pelos apóstolos, nos primeiros séculos e enquanto as comunidades se formavam. Muitos exegetas são unânimes em afirmar que o encontro com a mulher Cananéia foi o divisor de águas para que Jesus compreendesse que seu Evangelho não deveria limitar-se ao povo judeu, mas sim resgatar a todos em uma nova aliança. Na Cruz, havia um discípulo, mas as mulheres estavam lá e ao longo do caminho, secando o Seu rosto (Verônica) ou em prantos ao ver o que estavam fazendo com o Senhor. Do encontro da Samaritana, onde Jesus nos ensina a ser adoradores em espírito e verdade. Além é claro da coragem, confiança e do Sim de uma mulher, a presença humana de Deus pode se tornar presente entre nós.

Mulheres missionárias e exemplos para todos

Como não falar de Santa Teresa D’Ávila, a andarilha de Deus, uma amiga forte que desenvolveu uma intimidade tão próxima a ponto de ouvir de Jesus que se o Céu não existisse, Ele o teria feito só para ela. Santa Faustina que foi tão buscada e aberta a Jesus Misericordioso e nos brindou com um Diário que espelha o quanto Deus nos ama e quer que sejamos um só nEle. Santa Catarina de Siena que teve um papel inquestionável no retorno da paz e unidade da Igreja no século XIV. Por fim, mas não somente, o que não dizer de Madre Teresa de Calcutá, sua relação com o Senhor e seu amor inesgotável pelo resgate da dignidade humana.

As mulheres de nossa Catedral

Ainda, precisamos reconhecer quantos avanços e aberturas a nossa Igreja fez em prol das mulheres. Por exemplo, olhe nossa Catedral. Quantas mulheres assumem o chamado para Ministras Extraordinárias da Sagrada Eucaristia e são investidas na graça de ter em suas mãos o Santíssimo Corpo e O entregar a todos que O buscam, este Remédio para todo o nosso ser. Na liturgia, na catequese, na comunicação, quantas são coordenadoras de pastorais, lideranças que diariamente pensam e agem em prol de seguir os passos de Jesus na evangelização do povo de Deus e suporte para o clero.

Por óbvio que esse recorte é privilegiado e sabemos que não é a realidade de muitos lugares ao longo da nossa Casa Comum. Porém, não há como negar que há um movimento de abertura e sinodalidade, em especial a partir do Papa Francisco e da continuidade com o Papa Leão, com carinho todo especial para a mulher.

O que realmente a mulher deseja

Inspiradas nas palavras de Santa Teresa de Lisieux (Santa Teresinha do menino Jesus), queremos “florescer onde formos plantadas”: ser livres para exercer nossos dons, missionárias do amor de Deus, espalhando o perfume do Espírito Santo. Buscamos a liberdade de escolher, com igualdade e sem a pressão de rótulos ou expectativas sociais que limitam nosso crescimento.

Neste sentido, profundo é o pensamento de Santo Agostinho quando nos diz que “na essência somos iguais, nas diferenças nos respeitamos”. Pois, ao seguir essa verdade, nenhum discurso parecerá feminista ou ousado demais…não será preciso manchetes e análises estatísticas que diariamente ferem nossa dignidade e liberdade.

Que neste 08 de março façamos uma prece a todas as mulheres.

Supliquemos ao nosso Pai que continue a querer esta parceria no seu Reino.

Que cada vez mais possamos nos apaixonar ardentemente pelo Evangelho de Jesus e que o Espírito Santo, este doce Hóspede de nossa alma, imprima um fogo abrasador nos impulsionando a ir ao encontro dos que, neste momento, necessitam de nós.

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