

O mês de outubro de 2025, vivido no contexto jubilar do nascimento de Jesus Cristo, resplandece sob o lema “Peregrino de Esperança”, convidando toda a Igreja a renovar a confiança no Senhor que caminha conosco.
A Arquidiocese de Passo Fundo se prepara para celebrar a 44ª Romaria em honra a Nossa Senhora Aparecida, sob o tema “Maria, testemunha da esperança”, enquanto a Paróquia Nossa Senhora Aparecida – hoje Catedral Metropolitana – comemora 75 anos de fecunda história evangelizadora.
Em sintonia com a Igreja universal, o Mês Missionário, iluminado pelo lema “Missionários de esperança entre os povos”, reforça a dimensão universal da fé e do testemunho cristão. Estes três horizontes convergem e se completam, revelando que a esperança cristã se renova no seguimento de Jesus Cristo e se expressa no compromisso missionário e mariano do Povo de Deus.

O evangelho de Lc 17,5-10, proclamado no 27º Domingo do Tempo Comum, nos conduz ao coração da experiência cristã da fé, apresentando o pedido dos apóstolos: “Senhor, aumenta a nossa fé!”.
Esse clamor expressa tanto a consciência da fragilidade humana quanto o desejo de crescer no seguimento de Jesus.
No entanto, a resposta de Jesus não se orienta pela lógica da quantidade, mas pela profundidade e autenticidade da fé. A fé, mais do que um acúmulo de certezas, é uma adesão existencial que brota do encontro com Deus e se fortalece no caminho.
Por isso, Jesus evoca a imagem do grão de mostarda, pequeno em aparência, mas cheio de vitalidade e força transformadora.
A fé não cresce por imposição externa ou esforço meramente intelectual, mas floresce a partir de dentro, à medida que a pessoa se abre à graça e confia plenamente no amor de Deus, que é sempre o primeiro a agir.
A fé é, antes de tudo, uma resposta livre e consciente ao amor de Deus, que precede e envolve toda a humanidade.
Esse amor já foi derramado em todos (Rm 5,5), mas a fé amadurece à medida que nos colocamos em sintonia com a presença divina que permeia a vida, a história e a criação.
Quando essa sintonia é cultivada, a fé se expande como dinamismo vital, ativando nossas potencialidades, fortalecendo a confiança e abrindo horizontes para um compromisso concreto de vida.
Nesse contexto, a fé não é mera ideia ou sentimento, mas vivência existencial de Deus que se traduz em atitudes, escolhas cotidianas e adesão ao projeto do Reino anunciado por Jesus.
Trata-se, portanto, de uma fé viva e operante (Gl 5,6), que transforma interiormente e envia exteriormente, tornando cada discípulo testemunha da esperança.
A imagem da amoreira, árvore de raízes profundas e de vida longa, sendo transplantada para o mar — algo humanamente impossível — simboliza a força transformadora de Deus já presente em cada pessoa.
O ensinamento de Jesus é claro: quando enraizados na confiança em Deus, até os desafios mais desproporcionais podem ser enfrentados com esperança.
A fé, nesse horizonte, não se reduz a um ato isolado ou a um sentimento passageiro, mas constitui uma atitude fundamental que orienta toda a existência.
É ela que confere liberdade interior, amplia horizontes e mobiliza energias espirituais e humanas capazes de renovar a vida pessoal e transformar a realidade ao redor.
Trata-se de uma fé que não se limita a pedir milagres extraordinários, mas que torna possível viver com profundidade, firmeza e autenticidade, porque nasce da certeza de que Deus age em nós e conosco.
Jesus desencadeou um movimento profético em favor da vida, chamando homens e mulheres a participar de sua missão e confiando-lhes o anúncio e a promoção do Reino de Deus.
Sua proposta não se reduz a um conjunto de ensinamentos ou normas, mas é um chamado existencial a segui-Lo no caminho da compaixão, da justiça e da entrega total ao Pai.
O essencial, portanto, para reavivar a fé é renovar a decisão de viver como discípulos de Jesus, deixando que Ele se torne o critério e a medida de toda a existência.
O seguimento não é periférico, mas o núcleo da fé cristã: somente quem se coloca no caminho de Jesus Cristo descobre a profundidade do seu mistério, aprende seu estilo de vida e compromete-se com sua causa.
Assim, a fé se torna experiência viva de discipulado, transformando o coração e moldando uma vida configurada ao Evangelho.
Mais do que ter fé em Jesus, o decisivo é viver a fé de Jesus.
Isso implica partilhar suas convicções mais profundas, acreditar no que Ele acreditou, valorizar o que Ele valorizou e agir segundo os critérios do Reino que Ele anunciou.
É deixar-se conduzir pela mesma confiança filial que Ele depositava no Pai, aproximar-se com compaixão daqueles que sofrem, como Ele se fez próximo dos pobres e excluídos.
Seguir esse caminho não é apenas imitar exteriormente suas atitudes, mas assumir interiormente uma forma de vida inspirada e transformada pelo seu Espírito.
Trata-se de um discipulado que, enraizado na experiência de Jesus, renova o cotidiano, transfigura relacionamentos e dá sentido pleno à existência.
O empregado cumpre sua missão e deve alegrar-se nisso; do mesmo modo, o discípulo encontra sentido no seguimento de Jesus.
O Evangelho nos mostra que segui-Lo não é uma obrigação pesada, mas uma experiência de atração.
Ele cativa e seduz, chama não para o dever estéril, mas para a beleza de uma vida fascinada pelo Reino.
Contudo, muitos cristãos ainda reduzem a fé ao simples cumprimento de normas ou à busca de uma religião que garante segurança, sem abrir-se à novidade transformadora do encontro pessoal com Jesus Cristo.
A fé autêntica, porém, é sempre dinâmica e criativa, capaz de gerar discípulos apaixonados e comprometidos com a causa de Jesus.
Por fim, o empregado que cumpre apenas o que lhe foi mandado recorda-nos que não somos “servos inúteis”, mas colaboradores do Reino.
Nosso serviço não busca recompensas imediatas nem interesses egoístas, mas se realiza na simplicidade, na fidelidade e na gratuidade.
Servir com amor é nossa vocação: ao assumir com humildade a missão confiada, tornamo-nos instrumentos indispensáveis no projeto de Deus.
A verdadeira grandeza da fé se revela justamente aí: no serviço realizado com amor.
Em síntese, o evangelho de Lc 17,5-10 nos convida a compreender que a fé não é mera crença passiva, mas uma vida que se desdobra em seguimento, serviço com amor e transformação.
Seguir Jesus implica deixar-se seduzir por sua pessoa, abraçar seu projeto e viver de acordo com seus valores, aproximando-se dos que sofrem, confiando em Deus e colaborando com o Reino.
A fé verdadeira não se mede em quantidade, mas em autenticidade e profundidade: cresce à medida que nos abrimos à presença divina, assumimos com humildade nossas responsabilidades e servimos com amor e gratuidade.
Assim, discípulo e comunidade aprendem a transformar o cotidiano em espaço de evangelização, tornando a vida cristã uma experiência dinâmica, criativa e capaz de irradiar esperança para todos.
Esperamos que essa leitura ilumine seu caminho e aprofunde sua fé.
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