Catedral Nossa Senhora Aparecida

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Eco da Palavra: reflexões sobre o Evangelho Dominical com o Padre Ari
📘 Reflexão: 21º Domingo do Tempo Comum, Ano C, Lc 13,22-30
✍️ Autor: Padre Ivanir Antonio Rodighero
Cristãos leigos e leigos, chamados a servir - Peregrinos porque chamados
Cristãos leigos e leigos, chamados a servir - Peregrinos porque chamados. Fonte: Gerado por IA

Chamados a servir: leigos e leigas

Neste Mês Vocacional de 2025, em que a Igreja do Brasil recorda a vocação dos leigos e leigas, agentes de pastorais e movimentos, somos iluminados pelo Evangelho de Lucas (Lc 13,22-30).

O tema proposto — “Peregrinos porque chamados” — convida-nos a olhar para nossa vida cristã como caminho, processo e resposta a Deus.

Mais uma vez, estamos diante de uma pergunta feita a Jesus: “É verdade que são poucos os que se salvam?”.

A resposta de Jesus não se fixa em números ou estatísticas, mas desloca o olhar para aquilo que realmente importa: viver o presente como tempo de graça, justiça e fidelidade ao chamado de Deus.

A salvação não é conquista voluntarista, como se fosse uma corrida individual até a linha de chegada.

Ela é dom de Deus, que desperta em nós o desejo de entrar no fluxo da sua graça, esvaziando-nos do egoísmo e abrindo-nos ao serviço oblativo e gratuito.

Jesus não se preocupa com a quantidade dos salvos, mas insiste na qualidade da resposta de cada discípulo no hoje da vida.

O futuro está nas mãos de Deus, mas a fidelidade ao Evangelho se verifica nas ações justas ou injustas que assumimos no presente.

Chamados a converter para o amor misericordioso de Jesus

Para explicar essa exigência, Jesus usa a imagem da “porta”.

Trata-se de um símbolo profundo: atravessar a porta é deixar para trás uma vida limitada e autocentrada para entrar numa vida nova, mais aberta, solidária e expansiva.

Ele mesmo se apresenta como a “Porta da Vida” (Jo 10,9), não para complicar a existência com novas exigências, mas para nos conduzir ao essencial.

Passar pela “porta estreita” implica humildade e desapego; significa esvaziar-se do próprio ego e aprender a viver no amor oblativo.

Entretanto, sabemos como é difícil sair de nossas “bolhas”.

Muitas vezes nos fechamos em ambientes conhecidos, seguros e cômodos, sem espaço para o diferente.

Nessas bolhas — afetivas, sociais, religiosas ou políticas — limitamos horizontes, atrofiamos perspectivas e nos tornamos incapazes de ver o amplo mundo que Deus nos confia.

Em outras palavras, fechamos “portas” à audácia do Espírito e à criatividade do amor.

O seguimento de Jesus, porém, nos convida a romper essas barreiras e a atravessar portas que nos levem ao encontro dos irmãos e irmãs.

Cristãos leigos e leigos, chamados a servir
Cristãos leigos e leigos, chamados a servir. Fonte: Google Imagens (2025). Disponível em: https://pedrobarbuto.blogspot.com/2015/02/igreja-comunidade-de-fe-de-jesus-de.html

O símbolo da porta revela também uma dimensão espiritual de passagem: deixar o “eu” fechado em si mesmo para abrir-se ao Outro e aos outros.

Trata-se de uma experiência de êxodo interior, como ensinam os místicos: sair do “próprio amor, querer e interesse” (Santo Inácio) ou viver “fora de si” no Senhor (Santa Teresa de Ávila).

Este movimento é arriscado e exige confiança, mas é nele que se encontra a verdadeira liberdade.

Tornamo-nos peregrinos, sempre em trânsito, sempre chamados a dar passos novos na fé.

Chamados à vocação de ser leigos e leigas

Jesus que chama os leigos e leigas para o seu Reino.
Jesus que chama os leigos e leigas para o seu Reino. Fonte: Google Imagens (2025). Disponível em:https://formacao.cancaonova.com/igreja/doutrina/jesus-cristo-deus-e-homem-verdadeiro/

É nesse horizonte que compreendemos a vocação dos leigos e leigas.

O Concílio Vaticano II reconheceu seu papel fundamental na missão da Igreja, e São João Paulo II, na Christifideles Laici, destacou sua corresponsabilidade na evangelização.

Leigos não são meros auxiliares, mas discípulos missionários que integram fé e vida, testemunhando o Evangelho em suas famílias, profissões, comunidades e compromissos sociais.

Quando Jesus anuncia que virão pessoas “do oriente, ocidente, norte e sul” para a mesa do Reino (Lc 13,29), aponta justamente para a universalidade dessa vocação, refletida na diversidade dos agentes de pastoral.

Assim, ser “peregrinos porque chamados” significa reconhecer que a salvação não é uma conquista isolada, mas caminho comunitário.

A exortação de Jesus — “Fazei todo esforço para entrar pela porta estreita” (Lc 13,24) — dirige-se a todos, como convite a caminhar juntos na corresponsabilidade e no serviço.

Leigos e leigas, especialmente aqueles que se dedicam nas pastorais e movimentos, são fermento de comunhão, justiça, esperança e misericórdia no mundo.

Que nossa Igreja seja cada vez mais sinodal, fraterna e missionária, onde todos se reconheçam como chamados a atravessar, juntos, a porta estreita da vida em Jesus Cristo.

Esperamos que essa leitura ilumine seu caminho e aprofunde sua fé.

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